Aqui, a terra é generosa.
O solo dá,
o rio insiste,
o sol não falta.
Falta cuidado.
Nunca nos faltou chão,
faltou direção.
Nunca nos faltou povo,
faltou pacto.
Este país não foi quebrado por guerras,
foi gasto por dentro.
Por pequenas concessões diárias,
por erros repetidos
até virarem costume.
A violência cresce
onde a justiça se ausenta.
O crime organiza
o que o Estado abandona.
A corrupção floresce
quando a consciência adormece.
Somos ricos em recursos
e pobres em compromisso.
Cheios de discurso,
vazios de continuidade.
Aqui, o futuro é sempre promessa.
O presente, improviso.
O passado, retorno.
Triste não é a carência,
é a normalização.
É aprender a conviver
com o que deveria indignar.
Este poema não nasce do ódio.
Nasce da dor de quem vê
um país capaz
andar para trás.
O Brasil não está perdido.
Está interrompido.
E só será inteiro
quando a abundância do chão
encontrar maturidade na consciência.