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Mandala
O contraste

Entre Duas Terras

Cresci entre aromas e silêncios,

num Japão que me chegou primeiro pela infância,

não pelos pés,

mas pelas mãos e gestos de meus pais.

Em casa, tudo era culto:

o arroz servido com respeito,

o chá preparado como prece,

o tempo que ensinava a esperar.

Minha primeira escola foi a da língua japonesa,

onde aprendi que cada palavra carrega alma

e cada silêncio também fala.

Aprendi a apreciar o todo:

costumes que não se apressam,

culturas que honram o passado,

alimentos que alimentam mais que o corpo.

Meu pai, Mizuki Takato,

pintor de óleos e saudades,

trazia a terra natal para a tela:

o Monte Fuji em repouso eterno,

as sakuras em despedida suave,

bambus que se curvam sem quebrar,

bonsais que ensinam o valor do cuidado.

Também escrevia, lia, refletia.

Guardava mundos em palavras.

Ah, se o tempo soubesse preservar…

Hoje eu daria tudo

para ler o que pensava,

para compreender o autor que habitava seu silêncio.

Minha mãe, Mizuki Watai Ayako,

com flores moldava a memória.

No ikebana, mantinha vivos os ancestrais,

ensinando que beleza é equilíbrio

e que o vazio também compõe a forma.

Na cozinha, unia mundos:

o Japão servido ao lado do Brasil,

sabores que ainda hoje moram em mim.

Com essa cultura adquirida no afeto,

pude caminhar pela terra natal de meus pais

não como estrangeiro,

mas como alguém que reconhece o chão.

Hoje, para preservar e continuar

a apreciar essa cultura milenar,

mantenho este espaço,

este site:

este gesto de gratidão e memória.

Arigatou, Buda!

Obrigado, Jesus!

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